
‘Dama do CV’ recebida no Ministério da Justiça
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No correr deste ano, assessores do Ministro da Justiça, Flávio Dino, receberam, por duas vezes, Luciane Barbosa Farias, conhecida como a “dama do tráfico amazonense” e integrante do Comando Vermelho, dentro das instalações do ministério. Os encontros ocorreram em audiências com dois secretários e dois diretores da pasta, durante um período de três meses, sem que o nome dela constasse das agendas oficiais.
O Ministério da Justiça, ao ser questionado, admitiu que Luciane foi recebida por secretários de Flávio Dino, mas alegou que ela integrava uma comitiva, tornando “impossível” a detecção prévia de sua presença pelo setor de inteligência. Essa ausência de controle nas agendas públicas de autoridades levanta preocupações quanto à segurança dos servidores.
Luciane, casada há 11 anos com Clemilson dos Santos Farias, conhecido como Tio Patinhas e considerado o “criminoso número um” pela polícia do Amazonas, foi condenada em segunda instância por lavagem de dinheiro, associação para o tráfico e organização criminosa. Enquanto Tio Patinhas cumpre pena de 31 anos em um presídio no Amazonas, Luciane recorre em liberdade.
A atuação do marido no tráfico de drogas é marcada por métodos violentos, incluindo execuções de devedores. A violência também se estendeu a ataques a estabelecimentos, como um motel, onde uma vítima foi morta com um tiro na cabeça em uma execução liderada por Tio Patinhas. Além disso, ele já foi registrado segurando uma metralhadora antiaérea, destacando sua periculosidade.
O Ministério Público do Amazonas aponta que Luciane desempenhou o papel de “braço financeiro” na operação do marido, ocultando valores oriundos do narcotráfico, adquirindo bens de luxo e registrando “empresas laranjas”. Em maio deste ano, Luciane assumiu a presidência da Associação Instituto Liberdade do Amazonas (ILA), uma ONG que, segundo investigações, seria financiada com dinheiro do tráfico.
A presença de Luciane no Ministério da Justiça levanta questionamentos, especialmente em suas audiências com Elias Vaz, secretário Nacional de Assuntos Legislativos, e Rafael Velasco Brandani, titular da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). A falta de transparência nas agendas e a associação da ILA com o Comando Vermelho conforme investigações policiais reforçam a preocupação com o controle de organizações criminosas dentro de órgãos públicos.
Por fim, o Ministério da Justiça, em resposta, afirmou que a presença de Luciane nas audiências foi resultado de uma solicitação da Associação Nacional da Advocacia Criminal (ANACRIM) e que a detecção prévia da situação dela era “impossível”, considerando que a ANACRIM era a solicitante da audiência, não Luciane.



