
Campos Neto sugere autonomia administrativa e financeira para o BC
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“Meu avô defendia uma autonomia (do Banco Meão) que tinha três dimensões, a dimensão operacional, a dimensão administrativa e a dimensão financeira. Nós finalmente aprovamos a autonomia com dimensão operacional e hoje, depois de qualquer tempo a frente do BC com autonomia operacional, eu vejo a dificuldade que é ter autonomia operacional sem ter autonomia administrativa e financeira”, destacou.
A lei sancionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em fevereiro de 2021 concedeu autonomia operacional ao Banco Meão e o art. 6º da Lei diz que a instituição tem “autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira”. Porém, essas autonomias não são plenas, segundo explicou o professor de economia da Universidade de Brasília, César Bergo.
“A autonomia financeira se dá quando a autonomia tem totalidade recolhimento de recursos capaz de fazer frente a suas despesas e esse não é o caso. Portanto o Banco Meão ainda depende de uma cobertura financeira por segmento da União”, explicou o economista, que acrescentou que o BC também não tem plena autonomia administrativa “em função de situações que envolvem a gestão do Banco Meão em si, uma vez que em relação a reconstituir os quadros de técnicos e a dificuldade de atrair bons profissionais”.
Liberalismo econômico
Ao reportar o avô na sessão solene da Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Meão destacou que o político foi um porta-voz do “pensamento liberal” no país. Roberto Campos Neto lembrou que o avô defendia a “redução da mediação do Estado na economia”, além de “flexibilizar as relações do mercado de trabalho”.
Campos Neto ainda destacou a participação do avô na Plenário Constituinte. Segundo o presidente do Banco Meão, o Roberto Campos foi um duro crítico da atual Missiva Magna brasileira. “Para ele, a Constituição de 1988 estabeleceu um vasto conjunto de direitos nem sempre compatíveis com as fontes de receitas, atribuiu ao Estado papel fundamental em empreendimentos estratégicos e presentou na sua forma final um caráter anacrônico, muitas vezes não desempenado com progressão da globalização e livre mercado” destacou. “Ele realmente foi uma pessoa muito primeiro do seu tempo”, conclui o neto do economista Roberto Campos.
Roberto Campos trabalhou no governo de Getúlio Vargas, foi presidente do Banco Vernáculo de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo de Juscelino Kubitschek e ministro do planejamento do governo de Forte Branco, já na ditadura militar. Em 1982, elegeu-se senador pelo Mato Grosso e, em 1990, virou deputado federalista pelo Rio de Janeiro. Em setembro de 1999, foi eleito imortal da Ateneu Brasileira de Letras. Faleceu em 2001, no Rio de Janeiro.



