Esportes

Uma foto antiga e várias raridades dos transportes do ABC que “conversam” com você

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Imagem dos anos da dezena de 1970 não só é um passeio na história, mas um invitação a entender porquê uma das cidades mais importantes da Grande São Paulo se desenvolveu

ADAMO BAZANI

Santo André se constituiu numa das cidades mais importantes da Grande São Paulo. Atualmente com mais de 700 milénio habitantes segundo o IBGE (Instituto Brasiliano de Geografia e Estatística), sua principal vertente econômica são os serviços, mas até meados dos anos 1990, a predominância foi da indústria, principalmente a metalurgia.

Tanto é que uma das principais vias da cidade se labareda Avenida Industrial, hoje com quase nenhuma indústria.

Os transportes sempre foram fundamentais no prolongamento econômico do ABC, região a qual pertence Santo André, e nas transformações vivenciadas por sua população.

Uma foto antiga em que ônibus, bondes e trens aparecem não é somente uma recordação, mas um estudo, uma oportunidade de saber melhor o presente por meio do pretérito.

A imagem do Museu Octaviano Gaiarsa, que o Quotidiano do Transporte reproduz, é um exemplo desta veras.

E zero melhor que um estudioso e que ao mesmo tempo vivenciou à era para ajudar no aprofundamento.

O memorialista e pesquisador de mobilidade Mario dos Santos Custódio, a invitação do Quotidiano do Transporte, analisou a imagem.

Custódio é de Santo André. Conhece muito o sítio retratado, que é a Avenida Queirós dos Santos com Rua Bernardino de Campos, na estação de trens de Santo André, na região medial. O pesquisador conhece muito seus ônibus. Finalmente, antes mesmo de estudá-los, os utilizou porquê passageiro generalidade.

Viação Estoril, Viação São José de Turismo e Viação Padroeira do Brasil são os três personagens que “conversam” com Mario Custódio que, por sua vez, conta essa prosa para você.

A imagem tecnicamente é estática, enfim, é uma foto, mas seu teor é fluido e dinâmico e pode narrar a história. Mario Custódio dá essa voz.

“Aos leitores deste prestigiado Quotidiano do Transporte. A invitação do camarada Adamo Bazani, analiso a foto por ele enviada a mim, cuja origem é o reputado Museu de Santo André Octaviano Gaiarsa, que entre vários benefícios trouxe à cidade de Santo André, estão inúmeras fotos e o eterno livro “A Cidade que Dormiu Três Séculos”.

Enfim, vamos à estudo da foto sob o prisma do transporte coletivo, sem perder os veículos de transporte privado que aparecem na referida imagem, particularmente um Aero-Willys, um Dkv-Vemag e duas Kombis. Na foto aparecem três ônibus:

– um Caio Jaraguá com frente de Caio Bela Vista;

– um Caio Jaraguá

-um Caio Bela Vista.

São três exemplares de carrocerias que marcaram era no final dos anos 60 até meados dos anos 70, pelo menos.

A foto foi tirada da passarela da antiga Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, sendo que o sítio é o interceptação da Avenida Queirós dos Santos com Rua Bernardino de Campos, na Estação de Santo André, ao lado das antigas porteiras.

O ano da foto não sei precisar, mas pelo ônibus que está na frente é do início dos anos da déca de 1970.

Explico:

1º Ônibus: O coletivo que está na frente é da VIAÇÃO ESTORIL, que fazia a risca Vila Helena – Parque Dom Pedro II, depois Jardim do Estádio – Parque Dom Pedro II, empresa sucessora da AUTO VIAÇÃO ANDREENSE e que foi sucedida pela VIAÇÃO ESPLANADA. Ocorre que a Viação Esplanada, em meados de 1970, comprou ônibus O-362 Mercedes-Benz, com pintura branca, virente e preta em listras verticais, que ficaram famosos sob o termo “zebrinha” (quem é de Santo André daquela era deve se lembrar). Portanto, o primeiro ônibus da foto é anterior a meados dos anos 70.

2º Ônibus: O segundo ônibus, um Jaraguá, pela estudo do veículo e das cores, arrisco expor que se trata de um ônibus da VIAÇÃO SÃO JOSÉ DE TURISMO (ainda não era Viação São José de Transportes). E pela cor era das linhas municipais da empresa à era, quais sejam, Estação – Cata Preta, Estação – Clube de Campo ABC (por estrada de terreno), Estação – Jardim Guarará (risca recente), Estação – Cata Preta e Estação – Represa (Represa do Baraldi, por estrada de terreno). As citadas estradas de terreno eram a Estrada do Pedroso e a Estrada do Clube de Campo.

3º Ônibus: Quanto ao terceiro ônibus, não tenho dúvidas de que seja um Bela Vista da VIAÇÃO PADROEIRA DO BRASIL. Pela listra vermelha aquém da janela é um ônibus da risca bairro Paraíso – Vila Predomínio (ainda não havia o prolongamento até a Trol, mas já havia o prolongamento depois Rudge Ramos, pois a risca anterior era Paraíso – Rudge Ramos). E não é da risca municipal Jardim Estela – Jardim Bom Pastor via Jardim Oriental (era esse o letreiro da era), pois a listra supra da janela seria azul e não vermelha.

Análises finais: o Jaraguá poderia ser também da Viação São Camilo ou da Viação Santa Terezinha, mas eu ainda fico com a Viação São José. E o Bela Vista poderia ser da Empresa Auto Ônibus Santo André – EAOSA ou da Viação Ribeirão Pires, empresas que usavam esse tipo de ônibus naquela era (com roda na frente do chassi), mas o design e as cores eram outras. Se qualquer leitor quiser ajudar, é de grande valor para a história do transporte de Santo André que o faça. Agradecemos. Mario Custódio.”

Veja a imagem completa:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Mario dos Santos Custódio, pesquisador e memorialista de transportes

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