
Retrospectiva do fotógrafo Walter Firmo abre dia 5 de dezembro no MAM Bahia
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Com 86 anos de idade, dezenas de exposições e livros e 68 anos de curso, o carioca Walter Firmo, nascido em 1937, é considerado um dos fotógrafos mais importantes do país, com fotos ícones da memória e da cultura brasileiras. Dentre os seus prêmios, estão o Prêmio Esso de Reportagem (1964), sete prêmios no Concurso Internacional de Retrato da Nikon (entre 1973 a 1982), o Prêmio Golfinho de Ouro (1985), o Bolsa de Artes do Banco Icatu (1998) e a Ordem do Valor Cultural (2004).
A mostra é uma iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS), com base do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura (Secult-BA), Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e MAM Bahia. A visitação é gratuita, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h.
A retrospectiva tem 200 obras do artista, consagrado por sua sequência de projetos que registram e celebram o povo e a cultura negra do Brasil. A seleção traz desde imagens do início de sua curso até registros recentes. No conjunto, há fotos de manifestações culturais e religiosas e retratos icônicos de artistas porquê Pixinguinha, Dona Ivone Lara e Clementina de Jesus, entre outros destaques.

“Para nós é uma grande honra receber um artista da magnitude e da valimento de Walter Firmo integrando a programação do Novembro Preto no MAM Bahia, contando com essa parceria peculiar com IMS e sendo mais uma atração de um novo momento de readequação e requalificação dos Museus do Instituto”, ressalta a diretora universal do Ipac, Luciana Mandelli. Além do MAM, o Ipac administra os mais importantes museus baianos, porquê o de Arte Contemporânea (MAC), o de Arte da Bahia (MAB), o Museu do Recôncavo e o Solar Ferrão, dentre outras importantes coleções de arte.
Curadoria e Solar do Unhão
A curadoria da exposição é de Sergio Burgi, coordenador de Retrato do IMS, e da curadora adjunta, Janaína Damaceno Gomes, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenadora do Grupo de Pesquisas Afrovisualidades: Estéticas e Políticas da Imagem Negra. A retrospectiva também conta com assistência de curadoria da conservadora-restauradora Alessandra Coutinho Campos e pesquisa biográfica e documental de Andrea Wanderley, integrantes da Coordenadoria de Retrato do IMS.

Segundo a diretora do MAM Bahia, Marília Gil, a seleção de fotos ocupa o primeiro pavimento do Casarão do museu. “Trata-se do primeiro piso do Solar do Unhão, que é climatizado e cuja instituição é tombada porquê Patrimônio do Brasil desde 1943, junto à Capela e outros remanescentes”, completa Marília.
As fotos da mostra foram produzidas na dez de 1950, início da curso de Firmo, até 2021. Aparecem, ainda, imagens de diversas regiões do Brasil, com registros de ritos, festas populares e cenas cotidianas. O conjunto destaca a poética do artista, associada à experimentação e à geração de imagens muitas vezes encenadas e dirigidas. Grande secção das obras exibidas provém do pilha do fotógrafo, que se encontra sob a guarda do IMS desde 2018, em regime de comodato.

Nas fotografias, prevalece uma aura de afetividade e valorização da negritude, porquê afirma o próprio Walter: “acabei colocando os negros numa atitude de referência no meu trabalho, fotografando os músicos, os operários, as festas folclóricas, enfim, toda a gente. A vertigem é em cima deles. De colocá-los porquê honrados, totens, porquê homens que trabalham, que existem. Eles ajudaram a edificar esse país para chegar aonde ele chegou”.
Sociedade racista
A curadora adjunta Janaína Damaceno Gomes também reflete sobre o tema. “Se numa sociedade racista, a norma é o ódio e o auto-ódio, porquê nos mostram os trabalhos de Bell Hooks, Frantz Fanon e Virgínia Bicudo, amar a negritude compreende um trajectória necessário de trato. Não é à toa que Firmo define a cor em seu trabalho em termos de paixão pelo povo e pela cultura negra, mas é necessário entender que o recta a olhar não se restringe à teoria de autorrepresentação”, finaliza Janaína.

A retrospectiva evidencia porquê, no transcursão de sua curso, Firmo passou a se distanciar do fotojornalismo documental e direto, tendo porquê base a teoria da retrato porquê encantamento, encenação e teatralidade, em diálogo com a pintura e o cinema. Sobre seu processo criativo, o artista comenta: “a retrato, para mim, reside naqueles instantes mágicos em que eu posso interpretar livremente o imponderável, o mágico, o encantamento. Nos quais o deslumbre possa se fazer através de luzes, backgrounds, infindáveis sutilezas, administrando o teatro e o cinema nesse jogo de sedução, verdadeira tradução simultânea construída num piscar de olhos em que o intelecto e o coração se juntam, materializando atmosferas”.
Catálogo
Por ocasião da mostra, o IMS lançou, em São Paulo, o catálogo ‘Walter Firmo – No verbo do silêncio a síntese do grito’, que já está concorrendo ao renomado Prêmio Jabuti. A publicação traz as obras do responsável presentes na exposição, além de textos de autoria do próprio Firmo, de João Fernandes, diretor artístico do IMS, e dos curadores Sergio Burgi e Janaina Damaceno Gomes. O livro também traz uma entrevista do fotógrafo em conversa com os curadores e com o jornalista Nabor Jr., editor da revista O Melenick, muito porquê uma cronologia do fotógrafo assinada por Andrea Wanderley.
Biografia
Nascido em 1937, no bairro do Irajá, no Rio de Janeiro, Walter Firmo conta que, desde garoto, sonhava em fotografar. Ingressou no fotojornalismo em 1955, porquê novel, no jornal Última Hora, e não parou mais. Em 1955, logo com 18 anos, passou a integrar a equipe do jornal Última Hora, em seguida estudar na Associação Brasileira de Arte Fotográfica (Abaf), no Rio. Mais tarde, trabalharia no Jornal do Brasil e, em seguida, na revista Veras, porquê um dos primeiros fotógrafos da revista.
Walter Firmo trabalhou em diversos jornais e revistas e construiu uma curso longeva, reconhecida por prêmios. Um deles foi o Esso de Reportagem, em 1963, conquistado por ‘Centena dias na Amazônia de ninguém’, material publicada no Jornal do Brasil com fotos e texto seus. Chamado de ‘rabino da cor’, Firmo é responsável de retratos memoráveis de ícones da música brasileira porquê Pixinguinha, Dona Ivone Lara, Cartola.

Outra vertente bastante conhecida de seu trabalho são as imagens de festas populares registradas por todo o Brasil, do carnaval do Rio de Janeiro ao Bumba meu Boi, no Maranhão. Desde 2018, o Instituto Moreira Salles abriga, em regime de comodato, aproximadamente 145 milénio fotos feitas por Firmo ao longo de várias décadas. O material estabelece um diálogo direto com outros grandes nomes do pilha do IMS, porquê José Medeiros, com quem Firmo trabalhou, e Marcel Gautherot.
Criado no subúrbio carioca, rebento único de paraenses – seu pai, de família negra e ribeirinha do reles Amazonas; sua mãe, de família branca portuguesa, nascida em Belém –, Firmo começou a fotografar cedo, em seguida lucrar uma câmera de seu pai. Em 1967, já trabalhando na revista Manchete, foi correspondente, durante murado de seis meses, da Editora Bloch em Novidade York. Neste período no exterior, o artista teve contato com o movimento Black is Beautiful e as discussões em torno dos direitos civis, que marcariam todo seu trabalho ulterior. De volta ao Brasil, trabalhou em outros veículos da prensa e começou a fotografar para a indústria fonográfica. Iniciou ainda sua pesquisa sobre as festas populares, sagradas e profanas, em todo o território brasílio, em direção a uma produção cada vez mais autoral.

Essa aproximação com a teatralização e a pintura fica evidente no experiência realizado em 1985 com os pais (José Baptista e Maria de Lourdes) e os filhos (Eduardo e Aloísio Firmo) do fotógrafo, exibidos na exposição. Nas imagens, José aparece vestindo seu traje de fuzileiro naval, função que desempenhou ao longo da vida, ao lado de Maria de Lourdes, que usa um vestido longo, florido e elegante. O experiência faz referência às pinturas Os noivos (1937) e Família do fuzileiro naval (1935), do artista Alberto da Veiga Guignard (1896-1962). A partir da dez de 1970, Firmo fica muito divulgado por suas fotos que ilustram inúmeras capas de discos, com nomes porquê Dona Ivone Lara, Cartola, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Martinho da Vila, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Milton Promanação, Djavan e Chico Buarque.
O curador Sergio Burgi comenta a poética construída pelo artista: “Walter Firmo incorporou, desde cedo, em sua prática fotográfica a noção da síntese narrativa de imagem única, elaborada através de imagens construídas, dirigidas e, muitas vezes, até encenadas. Linguagem própria que, tendo porquê substrato sua consciência de origem – social, cultural e racial –, desenvolve-se amalgamada à percepção da urgência de se confrontar e se questionar os cânones e limites da retrato documental e do fotojornalismo. Num sentido mais espaçoso, questionar a própria retrato porquê verossimilhança ou mera mimese do real”.
Serviço
O quê: Exposição ‘Walter Firmo: no verbo do silêncio a síntese do grito’
Quando: 5/12/2023, às 17h, c/visitação gratuita de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Onde: MAM Bahia (Av. Perímetro, s/n – Negócio, Salvador – BA, 40301-155 – Telefones: 71 31176132 e 31176139)
Manancial: Ascom/Ipac



