
JULHO DEVE SER O MÊS MAIS QUENTE DA HISTÓRIA, INDICAM DADOS
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De pacto com os dados, as temperaturas altas estão relacionadas às ondas de calor na América do Setentrião, na Ásia e na Europa, que, juntamente com os incêndios florestais em países porquê Canadá e Grécia, tiveram impactos severos na saúde da população, no meio envolvente e na economia. No início do mês, entre os dias 5 e 7 de julho, foram quebrados, sucessivamente, três recordes de temperatura média global do dia mais quente já registrado.
Um outro trabalho divulgado nesta quinta-feira pela Universidade de Leipzig, na Alemanha, chegou a uma peroração semelhante: a temperatura média global deste mês deve permanecer de 1,3ºC a 1,7ºC supra da temperatura média para julho. Isso significa que a temperatura seria 0,2ºC mais quente do que em julho de 2019, quando foi obtido o recorde atual. Os dados são do investigador climatológico Karsten Haustein.
“Não se consegue respirar, o calor é insuportável”, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, ao comentar os dados do serviço europeu Copernicus divulgados nesta quinta-feira. “O nível das receitas a partir dos combustíveis e a inação climática é inadmissível. Os líderes têm de liderar.”
Guterres frisou que “não há mais desculpas”. “Não podemos continuar esperando que outros façam um tanto primeiro”, disse, na sede da ONU, em Novidade York. “Já não há tempo para isso.”. O secretário-geral lembrou ainda que é verosímil evitar a elevação média da temperatura global em 1,5ºC (que é considerado o limite sumo para termos mudanças climáticas dentro do suportável). “Mas exclusivamente com ação imediata e dramática”, frisou.
“Os líderes e países do G20, responsáveis por 80% das emissões globais, têm que dar um passo em prol da ação climática”, aconselhou. “Todos os atores têm de se juntar para estugar uma transição justa e equitativa dos combustíveis fósseis por energias renováveis. Temos de ter os objetivos alinhados com o limite do aumento em 1,5ºC.”
Por sua vez, o secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Petteri Taalas, observou que “a premência de reduzir as emissões de gases do efeito estufa é mais urgente do que nunca”. “O clima extremo que afetou milhões de pessoas em julho é, infelizmente, a dura veras das alterações climáticas e uma exemplar do horizonte”, afirmou Taalas. A OMM estima em 98% a verosimilhança de que pelo menos um dos próximos cinco anos seja o mais quente já registrado na história e em 66% a verosimilhança de as temperaturas globais ultrapassarem 1,5ºC supra da média verificada entre 1850 e 1900.
Na semana passada, o climatologista encarregado da Escritório Espacial Americana, a Nasa, Gavin Schmidt, também já havia dito que julho estava em vias de percutir o recorde do mês mais quente já registrado não só desde o início dos registros mas também “em centenas, se não milhares de anos”. Schmidt frisou que a situação não se deve exclusivamente ao El Niño – o fenômeno climatológico sazonal de aquecimento das águas do Oceano Pacífico que leva a uma elevação global das temperaturas -, mas porque “continuamos a lançar gases-estufa na atmosfera”.
Crédito: Divulgação/Instituto Brasília Ambiental



