Esportes

Há 150 anos nascia Santos Dumont, um dos precursores da aviação

[ad_1]

Quem embarca em um voo em São Paulo para fazer a principal ponte aérea do Brasil chega ao Rio de Janeiro pelo Aeroporto Santos Dumont, inaugurado em 1936. Ao passar pelo saguão de desembarque – um largo espaço com vidraças que permitem uma visão panorâmica das pistas de pouso e decolagem, com a Baía de Guanabara ao fundo – é difícil não perceber um quadro gigantesco feito pelo artista carioca Cadmo Fausto. O Primórdios da Aviação retrata o voo de Santos Dumont com o 14-Bis, em Paris, sob o olhar de curiosos, com a Torre Eiffel compondo o cenário.

RIO DE JANEIRO (RJ), 19/07/2023 – Busto do Santos Dumont, no aeroporto, Santos Dumont, no centro da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Busto e quadro em homenagem ao Pai da Aviação, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio – Tomaz Silva/Sucursal Brasil

Na saída principal do saguão, o viajante depara com um busto de Alberto Santos Dumont, feito pelo artista plástico gaulês Hugues Desmazieres.

O quadro, a estátua e o batismo do primeiro aeroporto social do país são homenagens ao mineiro que completa 150 anos de promanação nesta quinta-feira (20). O próprio lugar de promanação, Palmira, é mais uma homenagem. Em 1932 a cidade passou a se invocar Santos Dumont.

Alberto Santos Dumont é considerado o Pai da Aviação. Reconhecimento sumo pelo pioneirismo de ter conseguido voar com um aparelho mais pesado que o ar e com propulsão própria. O feito foi no Campo de Bagatelle, em Paris, em 23 de outubro de 1906.

O suboficial da Aviação Maurício Inácio da Silva, historiador do Museu Aeroespacial (Musal), no Rio de Janeiro, afirma que Santos Dumont marcou uma era.

“Era um período de muitas descobertas, muitas invenções em todas as áreas. Ele torna provável o voo do mais pesado que o ar, o 14-Bis. Para a era foi um sucesso. O que Santos Dumont fez marcou uma geração, vai permanecer para sempre e continua colaborando muito com o progresso da humanidade”, disse à Sucursal Brasil.

Rio de Janeiro (RJ), 26.04.2016 - Exposição no Museu do Amanhã, centro do Rio apresenta o lado inovador e artístico de Santos Dumont, a mostra conta com réplicas em tamanho real além de conteúdo interativo e audiovisual. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Réplica do 14-Bis em tamanho real em exposição no Museu do Amanhã – Tomaz Silva/Sucursal Brasil

Pioneirismo no exterior

Enamorado pela inovação, Santos Dumont já colecionava feitos aéreos antes do voo com o 14-Bis, porquê a construção de um balão – o menor já fabricado para a subida de uma pessoa a bordo, que voou por cinco horas, também na França, em julho de 1898. Dumont prosseguiu com o pioneirismo, associando motores de esbraseamento interna a balões, construindo engenhosos lemes, o que resultou no dirigível. Em 1901 sobrevoou Paris em um deles, chamando a atenção da prelo brasileira e mundial.

Vivendo em Paris desde os 18 anos, foi às margens do Rio Sena que observou um pormenor que o permitiu evoluir dos balões para o primeiro padrão de avião. Em 1905, Dumont assistia a uma corrida de lanchas, quando percebeu que o motor da embarcação poderia ser o gerador de potência que permitiria a autopropulsão do 14-Bis. Uma adaptação que depois de testes e falhas mostrou-se suficiente para o voo de 60 metros, a 3 metros de fundura no ano seguinte.

O brasílio prosseguiu com o desenvolvimento da sua máquina de voar. Em 1909, decolou em seu avião Demoiselle, um dos primeiros aeroplanos do mundo, parecido com um ultraleve.

santos_dumont_regula_o_demoiselle.jpg

Santos Dumont regula o Demoiselle – Foto reprodução Iara Venanzi/Itaú Cultural

O Pai da Aviação morreu em 1932. Ele deu termo à própria vida no Grand Hotel La Plage, em Guarujá, litoral paulista. Um desapontamento com o uso bélico dos aviões na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e também cá no Brasil é assinalado porquê um dos motivos para o suicídio de Santos Dumont.

“Quando Santos Dumont se lança a esses inventos, ele sabia que poderiam ser utilizados na guerra. Mas ele via o avião porquê um observador alheado para localização de tropas e para o transporte das pessoas. Na Primeira Guerra, ele fica chocado com o uso para bombardeios. A pinga d’chuva foi quando, em Guarujá, ele viu aviões do governo brasílio passando para bombardear a cidade de São Paulo, durante a Revolução Constitucionalista de 1932”, conta o historiador Inácio da Silva.

Influência vernáculo

A respeito de 100 quilômetros de Guarujá, onde Santos Dumont viveu seus últimos dias, fica a cidade de São José dos Campos, no interno paulista. Desde 1969, lá funciona a Embraer. Uma empresa criada pelo governo em 1969 e privatizada em 1994. A companhia é a concretização brasileira do legado de Santos Dumont, sendo hoje a terceira maior obreiro de jatos comerciais do mundo, empregando 18 milénio pessoas e tendo já entregue mais de 8 milénio aviões.

“Porquê patrono da aviação e pioneiro da mobilidade aérea urbana, Santos Dumont é uma grande referência e manadeira de inspiração para todos nós na Embraer. Sua genialidade e pioneirismo nos inspiram a superar, com a mesma mandamento e perseverança, os desafios tecnológicos da indústria da aviação”, disse à Sucursal Brasil o presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto.

Com o Demoiselle, Santos Dumont vislumbrava para o avião uma função de mobilidade parecida com a dos automóveis. Chegava a usar a invenção para visitar amigos. Esse comportamento visionário é mais um que inspira hoje a Embraer.

Rio de Janeiro (RJ) -  Há 150 anos nascia Santos Dumont, um dos precursores da aviação.
Foto: Divulgação

Os eVTOLS ou carros voadores têm grande inspiração em Santos Dumont – Divulgação

“O seu legado de inovação está profundamente enraizado em nosso DNA. A sua visão inovadora continua presente nas aeronaves que projetamos e novas tecnologias desenvolvidas. Um exemplo é o nosso foco atual no segmento da mobilidade aérea urbana, por meio do desenvolvimento das aeronaves 100% elétricas de pouso e decolagem vertical, os eVTOLS ou ‘carros voadores’, que têm grande inspiração em Santos Dumont, que voou pela cidade de Paris há mais de um século”, explica Gomes Neto.

Outras inovações

O espírito visionário de Santos Dumont deixa outras influências. Foi ele o desenvolvedor de um hangar, estrutura que se tornou precípuo para a indústria aviação. Se o uso do avião não é uma veras cotidiana para todas as pessoas, outras ideias e costumes do mineiro fazem segmento da vida de quase todos nós. Não foi ele quem inventou, mas sim quem popularizou o uso do relógio de pulso. Um padrão mais prático para cronometrar voos e que ganhou mercado ao ser usado pelo famoso inventor. Outra é o chuveiro da vivenda dele, que usava uma espécie de balde com perfurações e um mecanismo para misturar chuva quente e gelada. A invenção está no Museu Morada de Santos Dumont, em Petrópolis, cidade de atração turística na região serrana do Rio de Janeiro, que está sendo reinaugurado nesta quinta-feira (20), em comemoração ao sesquicentenário.

Rio de Janeiro (RJ) -  Há 150 anos nascia Santos Dumont, um dos precursores da aviação.
Foto: Divulgação

 União Astronômica Internacional batizou de Santos Dumont uma cratera na Lua – Divulgação

Não é excesso proferir que o inventor é reconhecido até na Lua. Em 1973, porquê homenagem pelo centenário de promanação do brasílio, a União Astronômica Internacional batizou de Santos Dumont uma cratera existente no satélite oriundo da Terreno. Com 8,8 quilômetros de diâmetro, a cratera fica a 54 quilômetros do lugar de pouso da missão Apollo 15, em 1971, sendo a primeira a receber o nome de um brasílio e a única no lado visível da Lua. 

Código destapado

Santos Dumont pode ser considerado também um precursor do open source, termo em inglês que significa código destapado, muito citado no envolvente da computação. É um padrão de propriedade intelectual que permite que outros inventores “bebam na manadeira” de uma teoria inicial, permitindo aperfeiçoamentos. O próprio avião Demoiselle foi polido por outros empreendedores da era.

“Um dos fornecedores de peças do motor queria patentear, e Santos Dumont disse: ‘Negativo. Eu quero deixar os direitos abertos porque tem que que dar chance para outras pessoas poderem pesquisar e desenvolver o avião, para que a gente possa trazer melhor conforto, melhor meio de vida para a população’, era isso que ele queria”, relata o historiador Maurício Inácio da Silva.

Controvérsia

Há mais de um século existe a controvérsia sobre quem é o verdadeiro inventor do avião. Contemporâneos de Dumont, os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright disputam a primazia, apontando um feito de dezembro 1903, em um voo impulsionado por uma catapulta, ou seja, não tinha autopropulsão e não teve o registro de testemunhas.

“[No caso de Dumont] todos estavam lá registrando com fotos. Havia uma percentagem internacional montada. Existia um regulamento que dizia que só seria avião aquele que decolasse por meios próprios, enquanto os irmãos Wright estavam numa praia dos Estados Unidos, com o vento superforte e utilizavam catapulta. Eles só aparecem na Europa em 1908, quando outros concorrentes também já estavam com várias invenções voando muito”, conta o historiador do Musal.

Caminho para inventores 

Cá no Brasil, inventores – pessoa física ou empresas – que precisam registrar uma novidade tecnologia para um resultado ou processo, ou seja, prometer a propriedade intelectual, precisam solicitar patente. O serviço é feito pelo Instituto Pátrio da Propriedade Industrial (INPI), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Negócio e Serviços (MDIC).

O assistente da Diretoria de Patentes do INPI, Diego Musskopf, explica que patentear uma invenção significa obter um recta restrito de explorar comercialmente a geração dentro de determinado território e por um tempo restringido – 20 anos, impedindo que outros a copiem ou utilizem sem a sua autorização. “Com a patente, o depositante pode obter os benefícios econômicos e sociais de sua inovação”, explicou em entrevista à Sucursal Brasil.

De concórdia com o Boletim Mensal de Propriedade Industrial do INPI, divulgado em junho, no amontoado de janeiro a maio de 2023, o órgão recebeu 9.803 pedidos de patentes de invenção.

Musskopf ressalta que podem ser protegidos produtos ou processos. Outras criações porquê ideias, teorias, métodos de venda e ensino não podem ser patenteadas. “A invenção deve atender aos requisitos de novidade, atividade inventiva e emprego industrial. Isso quer proferir que ela deve ser novidade no mundo inteiro, diferenciar-se significativamente do que existe e ter a possibilidade de ser produzida em qualquer tipo de indústria”, detalha.

Patente internacional

A patente é um título territorial, ou seja, os títulos de propriedade intelectual emitidos pelo INPI funcionam para se proteger de “pirataria” unicamente dentro do país. Para ter proteção internacional, é preciso solicitar a patente nos países ou regiões no qual se deseja a proteção. Mas existem alguns acordos internacionais que facilitam esse processo, porquê a Convenção da União de Paris e o Tratado de Cooperação em Material de Patentes (PCT). Um único pedido passa a valer em várias partes do mundo. O PCT, por exemplo, conta com 152 países signatários, entre eles o Brasil.

Nos cinco primeiros meses de 2023, demandantes de 67 países solicitaram proteção de patentes no INPI. Entre os que mais depositaram pedidos estão os Estados Unidos (31%), Brasil (18%), Alemanha (7%), Suíça e China (6% cada) e Japão (4%).

Dos 1.747 pedidos de brasileiros, a maior segmento é de pessoas físicas (38%), seguidas por empresas de médio e grande porte (25%); instituições de ensino e pesquisa e governo (24%); e microempreendedor individual, micro e pequenas empresas (12%).

O pedido da patente, depois o período de sigilo, fica com toda a documentação disponível ao público, de forma que interessados possam fazer outros desenvolvimentos a partir da tecnologia, para disponibilizar produtos no mercado depois a vigência da proteção. “Ao patentear uma invenção, o inventor também contribui para o progressão da ciência e da tecnologia, pois uma patente pode ser uma manadeira de informação técnica para outros pesquisadores e inventores, estimulando o desenvolvimento de novas soluções para os problemas da humanidade”, destaca Musskopf.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo