
Com Isis Valverde no papel principal, ‘Ângela’ abre mostra competitiva do Festival de Gramado
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Longa-metragem que abriu, no sábado (12), a mostra competitiva do 51º Festival de Cinema de Gramado, Ângela é uma cinebiografia de Ângela Diniz, socialite que se tornou, em circunstâncias trágicas, um marco para a consolidação do movimento feminista brasileiro. O filme dirigido por Hugo Prata traz os últimos quatro meses de vida de Ângela (interpretada por Isis Valverde) e seu relacionamento com Doca Street (Gabriel Braga Nunes), até o trágico e brutal assassinato da socialite – mas prefere não se deter no rumoroso julgamento que se seguiu, concentrando o olhar no retrato de uma mulher a um só tempo intensa, melancólica e trágica.
Ângela Diniz foi assassinada pelo namorado Doca Street no último dia de 1976, com três tiros na cabeça e um na nuca. No julgamento que se seguiu, os advogados de Doca alegaram que o crime foi cometido “em legítima defesa da honra” e usaram aspectos da vida de Ângela, como os relacionamentos amorosos e o fato de ter aberto mão da guarda dos três filhos, para desacreditar sua pessoa. A primeira sentença foi leve, e Doca acabou liberado da prisão – o que motivou protestos de movimentos feministas em todo o País, levando a um novo tribunal e a ampliação da pena para 15 anos de cadeia.
A manhã de debates em Gramado trouxe também momentos de discussão sobre os curtas Yãmi-Yah-Pá, de Vladimir Seixas, e Deixa, de Mariana Jaspe, que abriu a mostra competitiva de curtas-metragens brasileiros. Ambos trazem em seu espírito a valorização de grupos e imaginários que buscam espaço na cinematografia nacional – o primeiro, trazendo uma distopia que se estrutura a partir da visão e da cosmogonia de povos originários, e o segundo com uma história de afeto entre pessoas negras, dirigida por uma mulher negra e distribuída por uma empresa (Borboletas Filmes) voltada à projeção de realizadores negros e negras.
Na ocasião, Vladimir Seixas revelou a intenção de transformar o argumento de Yãmi-Yah-Pá (Fim da Noite, na língua Tukano), que traz as memórias de uma indígena (interpretada por Rosa Peixoto) que sobrevive a um evento apocalíptico, em um longa-metragem. A ideia para a estreia de Seixas na ficção surgiu durante quatro viagens à Amazônia, visitando comunidades Munduruku em um projeto da Fiocruz. “Me ocorreu que a floresta é cheia de vida, e que seria natural a sobrevivência surgir de lá em um eventual apocalipse”, citou.
Deixa, por sua vez, traz Zezé Motta como protagonista, em uma história de afeto e despedidas envolvendo um casal negro com uma diferença significativa de idade. “Quando me convidaram para o papel, a Mariana (Jaspe, diretora) disse apenas que seria ‘a noite de despedida de um casal’. Só depois fui saber que ia contracenar com a Zezé”, disse o ator Dan Ferreira, que descreve o curta como “um filme, sobretudo, de amor”. “Acho que o filme tem esse olhar de não tratar (a diferença de idade) como determinante, de mostrar que é possível essa relação de afeto entre essas pessoas negras. O cinema tem esse poder de reflexão, de fazer alguém se sentir impactado e mudar de perspectiva.”
O 51º Festival de Cinema de Gramado continua na noite deste domingo, com a exibição de Tia Virgínia, longa de Fabio Meira que traz Vera Holtz, Arlete Salles e Louise Cardoso nos papeis principais. Também serão exibidos em competição os curtas-metragens A última vez que ouvi Deus chorar, de Marco Antônio Pereira, e Camaco, de Breno Alvarenga. Na sequência, ocorre a cerimônia de entrega dos Prêmios Assembleia Legislativa de Cinema Gaúcho, voltado a curtas produzidos no Rio Grande do Sul, além do Troféu Sirmar Antunes e dos prêmios Leonardo Machado e O Futuro Nos Une.



