
Brasil ensaia melhora no cenário de longo prazo, diz Tendências | Brasil
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O novo busto fiscal, a manutenção da meta de inflação e a dinâmica do Legislativo atuando porquê contrapeso ao Executivo levaram a uma melhora dos cenários de longo prazo para a economia brasileira. A combinação dos eventos recentes fez a Tendências Consultoria reduzir a verosimilhança de ocorrência de seu cenário pessimista e aumentar as probabilidades dos cenários fundamental e otimista.
Na edição mais recente do relatório Cenários de Longo Prazo, analistas da Tendências reduziram a verosimilhança subjetiva de ocorrência do cenário pessimista de 35% para 25%, aumentaram a verosimilhança do cenário fundamental de 60% para 65%, e a do otimista de 5% para 10%.
No estudo que analisa a trajetória da economia brasileira para os próximos dez anos, a consultoria considerou principalmente o busto fiscal legalizado na Câmara e que deve ser chancelado pelo Senado, que reduz o risco de trajetórias mais pessimistas para as contas públicas, ao impor limite supremo de propagação das despesas de 2,5%.
A consultoria diz que 2023 é visto porquê ano de transição devido às tarefas não resolvidas na agenda econômica. “O ciclo econômico nos próximos dez anos depende da redução de riscos de natureza macroeconômica e do aprofundamento das reformas microeconômicas com efeitos estruturais para o propagação”, ressalta o texto.
“Com o busto fiscal, tivemos a curva de endividamento para reles, o que reduziu a percepção de risco na evolução das contas públicas”, afirma Alessandra Ribeiro, economista responsável pelo relatório. “Outro ponto importante para essa melhora é a manutenção da meta de inflação pelo Recomendação Monetário Vernáculo em 3%. E outro, a elaboração do Congresso funcionando porquê um limitador à agenda econômica [do governo] e evitando retrocessos, seja no que diz saudação à Eletrobras, à autonomia formal do Banco Medial, ao novo marco regulatório de saneamento.”
A economista acrescenta que a aprovação da reforma tributária faz com que o cenário fundamental seja ainda melhor, mesmo que não estejam claros os detalhes do texto final da legislação.
No cenário fundamental, a Tendências prevê no contexto doméstico que o governo promova uma reforma ministerial e mobilize a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas relações com o Congresso. Uma reorganização da base aliada nesse contexto geraria vitórias do governo em medidas para ampliar a trouxa tributária e, por outro lado, limitaria a agenda revisionista da taxa econômica, contribuindo para a redução de incertezas, afirma.
A dinâmica política é tida porquê elemento meão para a diferenciação dos cenários de longo prazo. “A rivalidade política entre esquerda e direita deve preservar a agenda econômica da vaga de retrocessos, contribuindo para a firmeza das regras do jogo para a economia brasileira”, diz o texto.
Desde 2022 vemos uma resiliência da economia”
— Alberto Ramos
Esse cenário tem porquê ponto de partida a estabilização no aperto da política monetária promovida por economias avançadas. Nele, os principais países conseguiriam controlar a inflação sem efeitos mais dramáticos para a atividade. Mas o lento processo de desinflação não abriria espaço para retardamento monetário súbito. “O ritmo da atividade nos principais países avançados continuaria a desacelerar em 2024 por conta dos juros ainda elevados”, diz o texto.
No cenário fundamental de longo prazo da economia brasileira, o PIB cresceria em média 2% ao ano entre 2023 e 2032. A inflação cairia de 5,6% em 2023 a 4,2% em 2024 e a 3,2% em 2032.
O cenário otimista conta com o mesmo cenário internacional do fundamental. A diferença é que, do ponto de vista doméstico, prevê-se superação dos conflitos político-institucionais que dificultam a construção de consensos legislativos. O relatório observa que “a política mais moderada é requisito ‘sine qua non’ para agenda econômica de reformas estruturais, incluindo a aprovação da reforma tributária”. Na previsão otimista, o propagação médio do PIB até 2023 seria de 2,9% ao ano, e a taxa de inflação chegaria a 2,7% em 2032.
O cenário pessimista prevê maior persistência da inflação nos principais países com urgência de ajuste monetário mais significativo, com efeitos para a atividade global. No contexto extrínseco, esse cenário conta com poderoso desaceleração da economia chinesa. No contexto doméstico, por sua vez, haveria exacerbação dos conflitos entre Executivo e Legislativo, com destaque para as disputas entre o governo e a Câmara, bloqueando a agenda governista de recomposição das receitas.
“O governo com reles capital político adotaria o voluntarismo econômico porquê estratégia para minimizar a perda de popularidade. Nesse sentido o destaque seria a indicação de nomes com visão heterodoxa, em próprio para diretoria e presidência do Banco Medial, mudança de meta de inflação a partir de 2024 para 4,5% e orientação na prática voltada ao teto da meta inflacionária.”
Nesse cenário, a economia teria propagação anual médio de 1,0% até 2026 e 1,6% entre 2027 e 2032. A inflação baixaria para, no supremo, 4,7% até 2032.
A melhora do humor e o aumento da verosimilhança de ocorrerem os cenários fundamental e otimista se deve primordialmente à resiliência da economia, ao término do debate sobre meta inflacionária e ao envolvente extrínseco, diz Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs.
“Desde 2022 vemos uma resiliência da economia. Os dados não mostravam crise, mas sim um mercado de trabalho bastante poderoso, propagação, subida do serviço bastante robusta, balança com superávit muito grande e, depois, uma supersafra”, afirma Ramos. “Toda a discussão sobre a meta da inflação evoluiu de maneira favorável, com o governo perpetuando a meta que não gostava. Isso contribuiu para o ancoramento melhor do sentimento.”
No setor extrínseco, diz, a inflação nos Estados Unidos trouxe a percepção de que não haverá recessão e que o Federalista Reserve (banco meão dos EUA) está próximo do término do ciclo de aperto monetário.
No início do ano, o Goldman Sachs esperava propagação de 2,2% para a economia brasileira em 2023. Agora prevê subida de 2,6% do PIB para levante ano. A projeção para inflação neste ano é de 5,1%.
Mauricio Nakahodo, economista sênior do banco MUFG Brasil, argumenta que a melhora das expectativas se reflete na pesquisa trazida pelo Boletim Focus, divulgado pelo Banco Medial, que em 17 de julho mostrou queda mensal das expectativas de inflação e câmbio.
“Vemos o real se apreciando em relação ao início do ano, porquê ocorreu com outras moedas emergentes, mas também houve melhora das expectativas dos economistas e mercados com o progresso do busto e da reforma tributária”, afirma.
Aliás, acrescenta o economista, os bons resultados do PIB no primeiro trimestre levaram o banco a revisar as projeções de propagação para 2023 de 1% no início do ano para 2,2%.
Um elemento que contribuiria para aumentar ainda mais o otimismo seria o progresso mais rápido do que o esperado da implementação da reforma tributária, afirma. “Isso porque a reforma tem potencial para ajudar a alavancar o propagação de longo prazo”, diz.
Outros fatores que também ajudariam seriam desaceleração mais acentuada da inflação, trazendo um cenário mais favorável ao golpe de juros e à recuperação econômica global, e a China com propagação sólido, ajudando economias emergentes exportadoras de commodities.
“[Um cenário] mais otimista ocorreria se o entorno extrínseco melhorasse e o Brasil conseguisse chegar a uma trajetória fiscal melhor, peneirando o gasto e não aumentando a trouxa”, argumenta Ramos, ao manifestar que o governo segue uma estratégia de taxação e gastos “É uma estratégia complicada, com risco de ineficiências para um país com uma situação fiscal delicada porquê a do Brasil.”
Nesse sentido, afirma Ribeiro, o novo busto é uma requisito necessária para a redução de riscos, mas não suficiente.
“Ainda temos uma agenda na qual mexemos muito pouco. Vamos precisar mourejar com os gastos obrigatórios ou podemos desabar no mesmo risco que caímos com o teto, de reduzir despesas discricionárias para acomodar obrigatórias maiores. Retomar a agenda de gastos obrigatórios, com reformas porquê a administrativa, por exemplo, é necessário para lidarmos com a questão fiscal. Esse é um repto importante.”



