
Brasil amplia exportações para a Ásia além da China – 22/07/2023 – Mercado
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A confrontação por país é também significativa. As vendas para Singapura, no coração da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), foram de US$ 4,4 bilhões no primeiro semestre de 2023 (US$ 1,1 bilhão em 2018). Já para a Alemanha, motor da União Europeia, foram de US$ 2,9 bilhões (US$ 2,5 bilhões em 2018).
“É muito importante ver a Ásia para além da China”, diz Tatiana Prazeres, secretária de Transacção Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Transacção e Serviços.
“Quando olhamos a Ásia no seu conjunto, os números superlativos da China eclipsam outros mercados que são cada vez mais relevantes para o Brasil e para o mundo.”
Até 2021, considerando os primeiros semestres, a China representava 70% da exportação brasileira para a Ásia, diz. Em 2022 e 2023, também nos primeiros semestres, já ficou um pouco aquém, em 65,9% e 67,9%, respectivamente, com Singapura, Tailândia e Indonésia crescendo a taxas superiores à da China.
O caso de Singapura é explicado em segmento pela exportação de um resultado específico, “bunker”, óleo combustível para navios. É o maior porto de fornecimento do mundo, com mais de 130 milénio navios entrando e saindo a cada ano, e o combustível brasílico acabou sendo favorecido por uma novidade especificação.
Mas no primeiro semestre deste ano a exportação de “bunker” até caiu, em valor, enquanto as vendas avançavam em diversas outras frentes: petróleo bruto, carnes, máquinas e equipamentos, moca, minério de ferro e produtos siderúrgicos.
“Não é verosímil identificar o percentual das vendas que são consumidas em Singapura”, diz Prazeres. “O país está estrategicamente posicionado, isso permite que o porto seja um núcleo de distribuição para a região, com mercadorias sendo descarregadas dos navios e reenviadas para outros destinos em toda a Ásia.”
Ela sublinha que o Mercosul e Singapura negociam no momento um congraçamento mercantil. “Seria uma porta de ingresso para ampliar a presença brasileira nessa região que apresenta grande dinamismo”, diz. “É fundamental que mais empresas brasileiras incluam a Ásia nos seus planos.”
Para o economista Marcos Troyjo, ex-secretário de Transacção Exterior do Ministério da Economia (2019-20), desenvolvimentos geopolíticos e econômicos porquê a subida do PIB per capita em países asiáticos de subida população, porquê a Indonésia, além da Índia e da própria China, “estão criando oportunidades enormes para o Brasil”.
“Com a Ásia assumindo cada vez mais o papel de epicentro da economia global, o negócio com o Brasil só tende a crescer”, afirma ele, também ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do Brics), de Xangai.
Troyjo sublinha que no último ano a proporção do PIB brasílico ligada ao negócio extrínseco passou de 35%. “O redirecionamento das cadeias globais de valor”, acrescenta, não só pelas mudanças geopolíticas mas por eventuais acordos comerciais e a aceleração de reformas, abre quadro “óptimo”, porquê qualifica, para a economia brasileira.
Alerta, porém, que “essas grandes perspectivas podem ser colocadas em risco se sobrevir uma combinação indesejável de estagnação de reformas e imediatismo de políticas visando os próximos ciclos eleitorais”.
Troyjo diz ainda que, “num contexto global em que a segurança cevar e energética se tornou primordial, as lacunas de infraestrutura no Brasil deixaram de ser repto doméstico” para se transformarem numa questão global.
Diante de Asean e da Ásia porquê um todo, o negócio com a Europa avança mais lentamente, porquê mostra o contraste nas exportações para Singapura e para a Alemanha, enfatizado por Troyjo.
Para Prazeres, “porquê a UE possui uma economia madura, não é esperado que a importação do conjunto apresente grandes crescimentos, mas, apesar de menos dinâmico, o mercado segue sendo altamente significativo”.
Anota o salto na exportação de petróleo bruto brasílico no ano pretérito, que pode ter sido influenciado pela guerra, e avalia que o congraçamento mercantil Brasil-UE tornaria as vendas mais competitivas —além de proporcionar investimentos e parcerias entre as regiões, o que estimularia os fluxos comerciais.
A economista Karin Costa Vazquez, do Núcleo para a China e a Globalização, de Pequim, e professora da O.P. Jindal Global University, na Índia, anota que “os mercados asiáticos estão em expansão”, daí o contraste com a Europa, e faz um alerta sobre problemas futuros, com ou sem o congraçamento Brasil-UE.
“O CBAM [sigla em inglês para mecanismo de controle de emissão de carbono na fronteira] pode ser um grande travanca para Brasil e UE”, diz, em referência à tarifa aprovada em maio pelo Parlamento Europeu e que entra vigor em três anos.
Ela tem defendido que o novo governo brasílico aproxime o Mercosul da Asean, sobretudo Indonésia e Vietnã, e de outros gigantes asiáticos porquê a Índia, ampliando as listas de produtos e o nível das preferências concedidas mutuamente.



