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Alef Manga, do Coritiba, recebeu R$ 50 milénio no Pix de líderes do esquema de apostas

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Atacante foi denunciado pelo MP de Goiás por ter feito concordância com apostadores para levar cartão amarelo em partida do Brasileirão de 2022

20 jul
2023
– 15h57

(atualizado às 16h47)

Alef Manga, um dos principais jogadores do Coritiba, está entre os sete novos jogadores denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) por envolvimento com o grupo criminoso que fraudou apostas esportivas em jogos das Série A e B do Campeonato Brasílio de 2022, além de outros torneios estaduais. Áudios e prints de conversas do desportista com os apontados porquê líderes da quadrilha dão embasamento à denúncia do MP.




Alef Manga
Alef Manga
Foto: Divulgação/ Coritiba FC / Estadão

As investigações do Grupo de Atuação Próprio de Combate ao Violação Organizado (Gaeco) apontam que Alef Manga fez concordância com apostadores para receber R$ 50 milénio em troca de levar um cartão amarelo na partida contra o América-MG, pela 25ª rodada do Brasileirão de do ano pretérito, disputada no dia 3 de setembro. Segundo o MP, o atacante ganhou R$ 5 milénio previamente e o restante dias depois do jogo.

Diego Porfírio, ex-colega de Manga no Coritiba, foi quem indicou o atacante para o grupo de apostadores. Áudios e mensagens de WhatsApp entre os dois, aos quais o Estadão teve aproximação, mostram Manga reclamando com Porfírio da vagar em receber o resto do numerário depois de satisfazer o que havia sido combinado com os apostadores.

Leia a transcrição do áudio na íntegra:

“Não, demorou, eu te aviso. É que é fod* o Porfírio, fazer com aquele rostro que é teu companheiro lá eu nem to falando mais com ele recta não, mano. Sabe? Porque foi a maior combate para receber esse numerário dele aí, entendeu? Sempre dava uma desculpa. Aí depois que me pagou lá toda hora ficava mandando mensagem, toda hora, toda hora, para fazer de novo, fazer de novo, um detrás do outro, entendeu? E eu falando para ele que não é assim, não, espera um pouco, passar uns dois ou três jogos para fazer de novo. Aí mandava mensagem de novo que era próximo jogo, mandava mensagem. Tipo, e eu falando para ele que não era assim, porque fica tomando cartão direto assim os caras vai perceber, vai imaginar coisa. Ah, mano, ele não quis entender meu lado também eu deixei de falar com ele, até bloqueei o número dele viad*, de verdade mesmo. Mano, foi suado para pegar numerário com esse rostro, mano. Ah não sabor de rostro assim não mano. O que é nosso, é o nosso nome que está em jogo né viad*, na hora que é para tomar cartão a gente toma e na hora de receber um dia depois fica ‘ah porque não sei o que, porque a Bet não pagou, não entrou, aí dava picadinho tá ligado, dava cinco milénio, depois dava mais três milénio. Maior confusão, aí peguei e larguei entendeu?

Apontados porquê dois dos líderes do esquema fraudulento de apostas, Bruno Lopez e Thiago Chambó disseram no grupo de WhatsApp chamado “Operação FDS” que Manga recebeu o numerário prometido em sua própria conta bancária. “Pix no nome, bicho doido”, escreveu Bruno Lopez, o BL, antes de encaminhar diversos comprovantes para Chambó comprovando os pagamentos em favor de Manga. Lopez e Chambó são réus em duas ações penais e estão presos desde abril.

Oito depósitos, totalizando R$ 50 milénio, foram feitos das contas de Luis Felipe Rodrigues de Castro, Camila Silva da Motta, mulher de Bruno Lopez, e da BC Sports Management, empresa da qual o parelha é sócio, nos dias 2, 12, 13, 14, 16 e 19 de setembro, porquê mostram os extratos bancários dos investigados. Nas investigações, Camila aparece dizendo querer ajudar o marido na operação. Ela fazia portanto toda a “contabilidade” do esquema, pagando os atletas envolvidos nas manipulações.

Porfírio já confessou em testemunho aos promotores do MP ter participado do esquema e fez concordância para colaborar com as investigações. O jogador admitiu ter indicado Manga aos apostadores.

Na prolongamento da conversa, Manga é questionado se levaria outro amarelo. Ele responde que “mais pra frente”, contra o Corinthians, em duelo da penúltima rodada. No entanto, o atacante não foi comunicado com o cartão naquela partida.

Alef Manga chegou a ser distante pelo Coritiba em maio deste ano depois que vieram à tona as primeiras conversas com o grupo de apostadores. No entanto, foi reintegrado pelo clube dias depois. Ele não falou sobre seu envolvimento no esquema de apostas desde que voltou a jogar e tem sido um dos principais jogadores da equipe, tanto que é o bombeiro do time no ano, com 13 gols em 25 jogos.

O QUE DIZEM OS ENVOLVIDOS

Procurado pelo Estadão, o legisperito de Alef Manga afirmou que está analisando ainda a denúncia oferecida e documentos e que “em breve” irá se pronunciar. O Coritiba não respondeu aos contatos da reportagem.

Jeffrey Chiquini, legisperito que abriu mão em maio da resguardo Alef Manga, lamentou a participação de seu ex-cliente no esquema. “É uma pena tudo isso. Nosso melhor jogador. Eu queria somente o melhor para o Coritiba e para meu cliente. O concordância seria a melhor estratégia jurídica”.

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