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A reforma da Orla de Itapuã, causa transtornos aos moradores e comerciantes da área.

A reforma da Orla de Itapuã, realizada na gestão do então prefeito de Salvador, ACM Neto, até hoje causa transtornos aos moradores e comerciantes da área. A cobertura de concreto em cima de boa parte da faixa de areia veio acompanhada da exclusão de vendedores e empreendimentos locais, trazendo impactos ambientais e sociais. Os moradores apontam que a mudança tirou marcas importantes para a identidade do bairro, impactando inclusive na segurança. 

Os diretores da Associação dos Moradores de Itapuã, Raimundo Bujão e Celso D’Niçu, relataram como a reforma aconteceu e os prejuízos para a população. “Você conseguia enxergar todo mundo que estava lá, mesmo tendo o restaurante na frente. Hoje, eles fizeram de uma forma que você não consegue enxergar a areia da praia”, explica Celso D’Niçu. 

A cobertura de concreto, além de gerar alagamentos durante a maré alta, passou a cobrir a visão da faixa de areia, dando margem para a ocorrência de crimes sem que a população consiga testemunhar. “Eles fizeram um elevado, aumentou o nível dali que você não consegue enxergar a areia da praia. Já houve alguns homicídios ali, coisa que nunca tinha acontecido com a orla antiga”, completa ele.

“Tirou aquela coisa natural que a gente tinha. Essa naturalidade que o bairro sempre teve que atraía”, conta Feliciano Silva, nascido e criado no bairro. “Colocou concreto e cimento e ainda expulsando os próprios moradores locais que ganhava seu dinheirinho na praia”. 

O morador ainda relata que agora a maior parte dos comerciantes é de fora do bairro, e que é preciso pagar uma taxa de 300 reais para manter a barraca. “A gente compreende que uma taxa deveria ser paga pelos barraqueiros, mas não 300, 400 reais todo mês”, reclama.

“A comunidade sequer foi indagada sobre alguma coisa relativa a essa obra. É a partir de quem vive no lugar que você pode cometer menos erros”, afirma Bujão. 

Criminalidade

Os diretores explicam que após a reforma, a população de rua aumentou e se instalou nos espaços criados na via da praia, crescendo o tráfico de drogas e insegurança, como aponta Bujão. “O comércio de drogas é a céu aberto. Antigamente, a gente tinha o prazer de dizer ‘vamos na Praça Dorival Caymmi’, hoje ninguém vem. A culpa é da concepção desse projeto”.  

“Ele tirou o restaurante Língua de Prata, foram 85 empregos diretos que ele acabou”, conta Celso. Bujão ainda acrescenta o impacto no comércio local. “Empregava um sem número de pessoas, homens e mulheres daqui do bairro, mão de obra da comunidade, além dos barraqueiros que foram todos tirados dali”. 

André Luis é um dos poucos comerciantes locais restantes no trecho, e conta como se deu essa expulsão. “Com a orla velha era bem melhor porque vendia mais”, relembra o vendedor. Comerciante na orla há 25 anos, ele explica que foram prometidos quiosques aos barraqueiros, mas os únicos que tiveram direito às estruturas foram os donos dos empreendimentos instalados com a reforma. 

André também relata que precisou reduzir o tamanho de sua barraca e o horário de trabalho às sextas, sábados e domingos, dias de maior movimento. “Diminuiu e aqui tudo tem que tirar porque tem horário. Às 19h tiram tudo”, relata ele. A Semop (Secretaria Municipal de Ordem Pública) é o órgão responsável por esta fiscalização dos comércios da região.

Outras obras

A reforma da orla não foi a única intervenção da Prefeitura no período. O Mercado Municipal de Itapuã também passou por uma reconstrução, que trouxe mais dois andares ao centro comercial. No entanto, o local não recebe manutenção adequada. “Não tem banheiro aqui em cima, a limpeza dos vidros, manutenção horrível”, conta Andréa Silva, dona de um dos restaurantes do lugar. 

Segundo os moradores, o mercado foi edificado em cima de um lençol freático, alagando o local com frequência. O centro comercial ainda lida com mau cheiro, calor, redução da clientela, além de problemas estruturais, como é o caso das janelas da unidade. Emperradas e há dois anos sem manutenção, a situação aumenta o calor em determinados pontos do mercado.

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