
O que se sabe sobre o golpe militar no Níger
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27/07/2023 – 9:59
Militares derrubaram o governo democraticamente eleito de Mohamed Bazoum, um coligado do Poente contra o jihadismo, marcando o sétimo golpe de Estado na região oeste e médio da África desde 2020.Militares anunciaram na quarta-feira (26/07) que tomaram o poder no Níger, uma país instável e empobrecida da África Ocidental, em seguida soldados tomarem o palácio presidencial na capital, Niamey, e aparentemente prenderem o presidente democraticamente eleito do país, Mohamed Bazoum, que estava no poder desde 2021.
Em um enviado, divulgado na televisão, o coronel Amadou Abdramane, ladeado por outros nove oficiais fardados, disse que as forças de resguardo e segurança decidiram “pôr termo ao regime devido à deterioração da situação de segurança e à má governança”.
O coronel ainda anunciou que as fronteiras do país vão permanecer fechadas e que será imposto um toque de recolher pátrio a partir desta quinta-feira, das 22h às 5h, até segunda ordem. Os militares ainda advertiram contra qualquer mediação estrangeira.
O paradeiro do presidente Bazoum segue incerto, mas sua conta no Twitter na manhã desta quinta-feira publicou um enviado pequeno. “As conquistas arduamente conquistadas serão salvaguardadas. Todos os nigerinos que amam a democracia e a liberdade cuidarão disso”, diz o texto.
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Níger, Hassoumi Massoudou, pediu à população que se oponha ao golpe.
Uma das nações mais pobres e instáveis do mundo
Com mais de 75% de sua dimensão de terreno coberta pelo Deserto do Saara e sem entrada ao mar, o Níger, um país predominantemente islâmico de 25 milhões de habitantes, é uma das nações mais pobres do mundo. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de exclusivamente 0,400, o que coloca o país na posição 189 no ranking do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), primeiro exclusivamente do Chade e Sudão do Sul.
Ex-colônia francesa que obteve a independência em 1960, o país já foi palco de quatro bem-sucedidos golpes militares e teve cinco Constituições diferentes nas últimas décadas. Bazoum, o atual presidente, havia se tornado em 2021 o primeiro gerente de Estado eleito a assumir o poder numa transferência de poder pacífica de um predecessor também eleito – Mahamadou Issoufou. Ainda assim, Bazoum sofreu uma tentativa de golpe dois dias antes da posse.
Vaga de golpes na região
A derrubada do governo no Níger marca o sétimo golpe na África Ocidental e Meão desde 2020. O último golpe bem-sucedido no Níger havia ocorrido em 2010, quando o logo presidente Mamadou Tandja foi derrubado por militares. Recentemente, outros países do Sahel (região que compreende a filete de transição entre o Saara e a África subsariana), uma vez que o Mali e Burkina Faso, também tiveram seus governos derrubados, com a instalação de militares no poder.
Tanto no Mali quanto em Burkina Faso, os militares justificaram suas ações com argumentos similares aos dos golpistas do Níger, afirmando que os governos civis eram incapazes de sofrear a deterioração da situação de segurança, afetada pela ação de grupos jihadistas islâmicos.
Governo derrubado era coligado do Poente na luta contra jihadismo
O governo de Mohamed Bazoum era um dos últimos aliados do Poente no Sahel, região que há anos sofre com a ação de jihadistas de grupos ligados ao “Estado Islâmico” (EI) e à Al Qaeda. Antes de serem palcos de golpes, Mali e Burkina Faso abrigavam tropas francesas que agiam contra os jihadistas, mas elas foram forçadas a deixar as duas nações quando os militares que tomaram o poder passaram a cultivar laços mais estreitos com a Rússia.
O Mali, no momento, é uma das bases de operação do grupo de mercenários Wagner, que já foi denunciado de cometer massacres no país. Em abril, surgiram rumores que a junta militar de Burkina Faso estaria negociando com a Rússia para o envio de mercenários ao país. Em 2016, a França já havia retirado o grosso das suas tropas da República Núcleo-Africana, outro país da região afetado pelo jihadismo. Desde logo o governo do país africano passou a recontar com o pedestal do Grupo Wagner.
Posteriormente Mali, Burkina Faso e República Núcleo-Africana terem se semoto do Poente, o Níger passou a concentrar ajuda militar do Poente. Os Estados Unidos afirmam que gastaram tapume de 500 milhões de dólares desde 2012 para ajudar o Níger a aumentar sua capacidade de segurança. A Alemanha anunciou em abril que reforçaria sua cooperação militar com o Níger. Berlim mantém algumas dezenas de militares na capital nigerina uma vez que instrutores e consultores. Mas a maior presença ocidental no Níger é a da França, que mantém mais de milénio soldados em Niamey e em regiões afetadas pelo terrorismo jihadista.
Agora há dúvidas sobre uma vez que o novo governo militar vai mourejar com a presença de forças ocidentais. “Bazoum tem sido a única esperança do Poente na região do Sahel. A França, os EUA e a UE [União Europeia] gastaram muitos de seus recursos na região para fortalecer o Níger e suas forças de segurança”, avaliou Ulf Laessing, técnico sobre a região do Sahel da Instauração Konrad Adenauer, da Alemanha. “Um golpe pode mudar tudo e também furar a porta para a expansão da influência da Rússia.”
Pena internacional
Posteriormente o pregão do golpe, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse, por meio de um porta-voz, que condena “veementemente a mudança inconstitucional de governo” no Níger e apela “à cessação imediata de todas as ações que atentam contra os princípios democráticos no Níger”.
Já a França, potência que tem laços estreitos com o Níger, declarou que rejeita “qualquer tentativa de tomada do poder pela força”.
Os Estados Unidos também exigiram “especificamente que os membros da guarda presidencial libertem o presidente Bazoum e se abstenham de toda violência”, lembrando que o Níger é “um parceiro crucial” para Washington. “Falei com o presidente Bazoum na manhã desta [quarta-feira] e deixei simples para ele que os Estados Unidos o apoiam firmemente uma vez que presidente democraticamente eleito do Níger. Pedimos sua libertação imediata”, disse o secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken.
O presidente da Percentagem da União Africana, Moussa Faki Mahamat, condenou o que chamou de “tentativa de golpe” no Níger.
Esfera Tinubu, presidente da vizinha Nigéria e presidente da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas), classificou os eventos no Níger de “desenvolvimentos desagradáveis” e disse que já estava promovendo consultas com outros líderes da região sobre a situação. “A liderança da Ecowas não aceitará nenhuma ação que impeça o bom funcionamento da poder legítima no Níger ou em qualquer secção da África Ocidental”, disse, em enviado.
O governo da Alemanha também condenou o golpe. “Estamos acompanhando com grande preocupação os acontecimentos no Níger. Condenamos a tentativa de setores militares de derrubar a ordem democrática constitucional do Níger e os exortamos a libertar imediatamente o presidente democraticamente eleito Bazoum e retornar a seus quartéis”, declarou o Ministério do Exterior teuto.
jps (DPA, AFP, ots)



